sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Patrocínio não é caridade

Por Erich Beting – UOL Esporte

Daniele Hypólito colocou em pauta, via Twitter, uma interessante discussão para o esporte. Um dos principais nomes recentes da ginástica artística brasileira, Daniele desabafou que não consegue um patrocínio, mesmo tendo bons resultados esportivos. Tamanha desilusão fez com que a ginasta também questionasse o futuro dos atletas no país e, mais do que isso, qual o legado que os Jogos Olímpicos de 2016 deixarão ao país.

É absolutamente justo Daniele colocar o dedo na ferida e expor uma situação delicada que ela passa, mas desde que tenha sentido fazer esse desabafo. Sim, ela é uma dos maiores nomes da ginástica brasileira, tem em seu currículo muitas vitórias, excelentes resultados no passado e bom desempenho na atualidade. Mas será que ela é um bom produto para uma empresa investir?

Essa é a grande questão que tem de ficar na cabeça de quem busca o patrocínio. Por que uma empresa deve se associar a um atleta ou a um clube?

Patrocínio não pode ser encarado como caridade. Nem de um lado, nem de outro. Com a evolução do esporte como ferramenta de comunicação para as empresas, naturalmente não será mais uma ajuda que uma marca dará ao seu patrocinado, mas sim a busca de resultados que ele possa alcançar. Nesse sentido, nem sempre é o desempenho esportivo o que mais conta. Uma empresa pode buscar no esporte algum atributo que aquele atleta ou aquela modalidade traz. E isso não está atrelado necessariamente ao desempenho.

Um bom exemplo disso é a ex-tenista Anna Kournikova, uma das mais ricas do circuito sem ao menos ter vencido um torneio individual. Para as marcas, a imagem que ela representava era mais importante do que o desempenho em quadra. Da mesma forma, as gêmeas do nado sincronizado Bia e Branca Feres conseguem muito dinheiro explorando o lado sensual e a comunicação com o público jovem do que pelo que fazem nas piscinas.

Daniele Hypólito tem todo o direito de reclamar. Mas será que não falta aos atletas brasileiros ter um elaborado trabalho de valorização de sua marca, mostrando que não é só o desempenho esportivo que eles possuem um garantidor de retorno para o patrocínio?

Um dos bons reflexos de Copa do Mundo e Jogos Olímpicos no Brasil é que as empresas passarão a entender melhor como investir no esporte. Falta o atleta compreender que a fase do "paitrocínio" está próxima da extinção.


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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

CBV dedica tricampeonato mundial a Nuzman

Em reunião de trabalho realizada nesta quinta-feira, dia 28, entre o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e as Confederações Brasileiras Olímpicas, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) dedicou a conquista do tricampeonato mundial pela Seleção Masculina ao presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman. Nuzman presidiu a CBV entre 1975 e 1996 e foi o responsável direto pela estruturação e organização do esporte no Brasil e pela virada que o vôlei deu no país na década de 80, culminando com a primeira conquista olímpica na quadra (Barcelona 92) e na praia (Atlanta 96).

Em nome da CBV e da Seleção Adulta Masculina, o presidente da entidade, Ary Graça, entregou um troféu a Carlos Arthur Nuzman. “Hoje, o voleibol se encontra nesse momento privilegiado graças ao trabalho iniciado pelo Nuzman em 1975. As coisas não acontecem de repente e por acaso. Nuzman é um estadista, um homem de visão e de ideias criativas. E, além disso, trabalha para obter os resultados. Foi assim na CBV e agora no COB. Nenhum outro brasileiro teria conseguido trazer os Jogos Olímpicos para o Brasil que não fosse o Nuzman. Por isso, divido com você a conquista do tri. Este também é um reconhecimento dos atletas”, afirmou Ary Graça.

Emocionado, Nuzman resumiu a homenagem em poucas palavras. “Este é um dos troféus mais importantes da minha vida”.


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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Atletas brasileiros terão preferência para utilizar Centros de Treinamento nos EUA

O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e o Comitê Olímpico dos Estados Unidos (USOC) assinaram nesta quinta-feira, dia 21, um acordo de cooperação que visa desenvolver um intercâmbio de ações e treinamentos de atletas entre os dois países. O acordo foi assinado durante a XVII Assembleia Geral da Associação dos Comitês Olímpicos Nacionais (ACNO), que acontece em Acapulco, no México. Pelo acordo, os atletas brasileiros terão preferência na utilização dos Centros Olimpicos de Treinamento dos Estados Unidos. O acordo de cooperação foi assinado pelo presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, e pelo presidente do USOC, Larry Probst.

Para o presidente do COB, a assinatura do acordo reflete o prestígio e o reconhecimento que o esporte brasileiro tem hoje no mundo. “Estamos muito felizes com este acordo, principalmente por poder proporcionar aos nossos atletas o privilégio de acesso aos Centros Olímpicos de Treinamento dos Estados Unidos. Isso demonstra o reconhecimento do USOC ao desenvolvimento dos esportes olímpicos no Brasil. Estamos no início da caminhada até 2016, e com este acordo poderemos enfatizar ainda mais o trabalho de preparação dos atletas brasileiros”, afirmou Nuzman.

O presidente do USOC, Larry Probst, destacou o acordo entre Brasil e Estados Unidos mesmo após a disputa que os países tiveram pela sede olímpica de 2016."Este acordo é prova de que o Movimento Olímpico transcende as competições. Há pouco mais de um ano, USOC e COB estavam engajados em uma competição para sediar os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016. Ao invés de criar rivalidade, aquela disputa ajudou a estabelecer um relacionamento muito positivo e significativo”, afirmou.

O acordo contempla uma série de ações em várias áreas do esporte. Como exemplo, os americanos compartilharão informações sobre as melhores práticas na concepção, construção, exploração e gestão de modernos Centros Olímpicos de Treinamento, o que auxiliará a definição do projeto a ser implementado no Complexo do Autódromo do Rio de Janeiro. O local sediará provas de várias modalidades dos Jogos Olímpicos Rio 2016 e, após o evento, se tornará um Centro Olímpico de Treinamento do Brasil.

Por sua vez, o COB ajudará o USOC a identificar no Rio de Janeiro um local com vistas à preparação da equipe americana para os Jogos Olímpicos Rio 2016, além do auxílio na obtenção de vistos de entradas múltiplas para a equipe de trabalho do Comitê Americano.

Para Londres 2012, o USOC apoiará os preparativos do COB para os Jogos Olímpicos, inclusive no planejamento do Centro de Treinamento que o COB pretende montar na capital inglesa, de forma a proporcionar as melhores condições de preparação final aos atletas brasileiros para os Jogos.

O acordo prevê ainda a transferência de conhecimento no planejamento estratégico, gestão organizacional e desenvolvimento técnico e planejamento de alto rendimento e compartilhamento de práticas em desenvolvimento de liderança no esporte internacional, entre outros pontos. O acordo é válido por quatro anos, podendo ser renovado e prorrogado por um período adicional de quatro anos após consulta e concordância de ambas as partes.

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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Projeto da Petrobras não tem meta de medalhas ou marca

Por Guilherme Costa - Máquina do Esporte

Melhorar a preparação dos atletas brasileiros e fomentar o esporte educacional. Assim, sem quantificar ou detalhar, a Petrobras define os principais objetivos de seu novo projeto esportivo. Lançada na última segunda-feira, 18/10, a iniciativa consumirá investimento de R$ 265 milhões até 2014.

No esporte de alto rendimento, segmento que consumirá R$ 101 milhões do aporte, a Petrobras escolheu cinco modalidades para serem agraciadas. Com base em critérios técnicos e na quantidade de medalhas em disputa nos Jogos Olímpicos de 2016, que serão realizados no Rio de Janeiro, a companhia dará apoio às confederações nacionais de boxe, esgrima, levantamento de peso, remo e taekwondo.

Não existe, porém, nenhuma meta concreta desses esportes para justificar o investimento. Na última segunda-feira, no evento de lançamento da iniciativa, isso foi repetido insistentemente: mais do que número de medalhas no Rio-2016, a meta da Petrobras é que as modalidades melhorem seu desempenho.

“Seria muito mais fácil pegar os atletas de ponta, que já têm resultados, e cobrar alguma coisa deles. O que nós estamos fazendo é um projeto para desenvolver essas cinco modalidades”, disse Cláudio Thompson, gerente de patrocínio esportivo da empresa.

A meta do aporte da Petrobras ao alto rendimento é beneficiar 110 atletas. Haverá cobrança às confederações sobre evolução no desempenho, mas a estatal não pretende estipular uma meta de conquistas para competições que acontecerem durante a duração do projeto.

A aposta intangível também acontece no projeto de marca. Questionada sobre qual é o objetivo comercial da Petrobras com esse patrocínio, a companhia falou apenas em “aparecer com as vitórias nacionais e com a demonstração de apoio institucional ao esporte brasileiro”.

Não existe, por exemplo, uma quantidade a ser atingida em termos de exposição de marca ou de reconhecimento. O aporte da Petrobras às cinco modalidades inclui um pacote de propriedades similar ao que a companhia tinha no handebol (logotipo em uniformes, placas publicitárias de competições organizadas pelas confederações e uma série de espaços para exposição de marca).


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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Petrobras fará documentários e centros de esporte

Por Guilherme Costa - Máquina do Esporte

Dos R$ 265 milhões que a Petrobras investirá em seu novo projeto esportivo, R$ 101 milhões terão como foco o esporte de alto rendimento. A maior parte do montante, portanto, será alocada em outra ponta do plano: o fomento da atividade física educacional, que já tem três centros planejados para pontos distintos do país.

Os primeiros espaços da estatal com foco educacional serão construídos em Manaus (AM), Cruz das Almas (BA) e Rio de Janeiro (RJ). Entretanto, a estatal revelou nesta segunda-feira que já existem planos para outros quatro centros. “São Paulo vai ter o seu”, exemplificou José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras.

A ideia inicial é que esses locais consumam investimento de R$ 164 milhões até 2014. Por terem o esporte educacional como foco, os centros investirão principalmente na formação de professores e na capacitação dos educadores que já trabalham na rede pública.

Os recursos desse trecho do projeto serão gerenciados pelo instituto Esporte e Educação, da ex-jogadora de vôlei Ana Moser. Também haverá participação da ESPN Brasil, que a exemplo da Petrobras usará a Lei de Incentivo ao Esporte para colocar recursos na iniciativa.

Outra ponta do projeto da Petrobras é a criação de um ciclo de documentários sobre a história do esporte no Brasil. As peças não serão focadas apenas em modalidades olímpicas, e a ideia da companhia é que essa iniciativa siga a linha do que a empresa já realiza no segmento cultural.

Neste ano, uma das principais ações da Petrobras no futebol também teve documentários como mote. A companhia tem produzido uma série de filmes sobre as torcidas de times da primeira divisão nacional.

O projeto apresentado nesta segunda-feira, 18/10, além dos documentários e da parte social, contempla investimento em cinco modalidades olímpicas: boxe, remo, esgrima, levantamento de peso e taekwondo.


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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Estádios para a Copa ou para o país?

Por Erich Beting – UOL Esporte e Máquina do Esporte

É sempre importante lembrar essa questão para um país que abrigará a Copa do Mundo. O maior risco que o Mundial pode representar é de que as exigências da Fifa tornem-se obrigação para que as cidades-sedes planejem megaestádios que depois do Mundial deixarão de ser usados, tornando-se enormes prejuízos para os seus administradores.

As edições desta quinta-feira, 14/10, de "Folha de São Paulo" e "O Estado de São Paulo" trazem matérias alarmantes sobre o futuro do Brasil pós-2014. No "Estadão", a promessa da Fifa de que, após o dia 31, quando se define quem serão o presidente e os governadores até 2014, começará a intensificar a cobrança para que os estádios fiquem prontos. Na "Folha", uma reportagem mostra que, até o final do ano, os dez estádios da Copa da África só serão usados 20 vezes nas quase 100 partidas da liga local. Ou seja, os estádios não atraem o interesse dos clubes. Mais preocupante ainda é a constatação de que o Soccer City, construído com financiamento público dentro de todos os padrões da Fifa, já abrigou uma partida do Orlando Pirates para apenas 5 mil pessoas (cabem 84 mil no local).

A realidade do pós-Copa é o que deveria ter balizado os projetos de estádios brasileiros. Não temos de fazer o Mundial pensando exclusivamente nas exigências da Fifa. Elas devem existir para aquele mês em que acontecem os jogos, mas depois disso quem tem de mandar em capacidade de assentos, número de camarotes e afins é a realidade local. Com quase todas as arenas da Copa-14 sendo públicas, o problema é ainda maior. Dinheiro da população para receber algo para o qual ela não foi previamente consultada se deseja ter, além de um enorme ponto de interrogação sobre o futuro dessas arenas após o furacão do torneio.

Os estádios, para a Copa, terão de receber, no máximo, sete jogos durante o período de um mês. Será que é preciso tanto investimento para isso? A demanda, depois do evento, continuará sendo parecida com a do período da Copa?

No mesmo dia 31 de outubro, o Brasil completará três anos de escolha da sede do Mundial. Faltam menos de três anos para o início da Copa das Confederações. Do jeito que está, seria melhor o país abdicar do direito de abrigar o evento. Porque é cada vez mais preocupante a imagem que vamos deixar para quem estiver por aqui em 2014 e o tamanho da conta que vai ficar para nós por conta dos estádios construídos para a Copa do Mundo.

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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Bancos e telecom, primeiros leilões por Jogos 2016

Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro promove encontro com o mercado publicitário para explicar regras para patrocinadores

Por Robert Galbraith – m&m online

Os bancos e as empresas de telecomunicações foram definidos pelo Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016 como as primeiras das 40 categorias de empresas parceiras a iniciar a disputa pela chancela oficial de patrocinadores. A definição foi comunicada ao mercado nesta quinta-feira, 7, em um almoço promovido pelo comitê em parceria com a Associação Brasileira das Agências de Publicidade (Abap), em São Paulo. Leonardo Gryner, diretor de marketing do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e principal executivo responsável pela comercialização das propriedades dos jogos olímpicos no Brasil, informou que o plano oficial será divulgado no dia 25 de novembro em evento no Rio de Janeiro.

As duas categorias definidas como aquelas que iniciam a bateria de leilões pelos patrocínios, apoio e status de fornecedores oficiais terão editais próprios nos quais poderão se informar dos direitos e obrigações das empresas escolhidas como vencedoras. No caso das empresas de telecomunicações, a expectativa é de que sejam 50 páginas de regras e condições, contra apenas cinco para os bancos. Gryner afirma que os principais players de cada setor já manifestaram interesse em participar da licitação. "Esperamos que até o fim do ano já tenhamos a definição do banco e da empresa de telecom oficias das Olimpíadas de 2016", disse.

O diretor de marketing do COB voltou a esclarecer que os atuais parceiros do comitê - Caixa Econômica Federal, EBX, Olympikus e Golden Cross - terão seus contratos rescindidos no final deste ano por determinação do Comitê Olímpico Internacional (COI) para a chegada dos novos parceiros a partir de 1 de janeiro de 2011. Estes poderão se tornar patrocinadores, apoiadores ou fornecedores oficiais dos Jogos Olímpicos de 2016, sem nenhum tipo de preferência para os atuais parceiros da entidade.

Gryner aproveitou o encontro com o mercado para explicar as principais diferenças do modelo comercial do COI em relação ao oferecido pela Fifa. "Não trabalhamos com o One Size Fits All", disse o executivo, referindo-se ao modelo único de cota disponibilizado para todas as categorias oferecido pela entidade máxima do futebol.

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